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   Violência contra criança e     adolescente  


Toda a sociedade tem o dever de defender e proteger crianças e adolescentes. Contudo alguns espaços sociais são prioritários nesta função. Estamos nos referindo à família, à comunidade, às escolas, às unidades de saúde e às organizações .
                 
O PAPEL DOS PROFISSIONAIS



    Ético

 

É muito importante que o/a profissional respeite o tempo, o ritmo e as decisões de cada um/a. Não é papel do profissional fazer julgamentos sobre a conduta da vítima diante da violência. Este é um fenômeno que agride de diferentes formas a estrutura de autoestima e autoproteção da vítima, sendo na maioria das vezes, difícil interromper o ciclo da violência. O profissional deve ter clareza desta dificuldade, de modo a poder contribuir para o sentimento de apoio e proteção, fortalecendo a criança/adolescente e sua família para ultrapassar os obstáculos. 


    Responsável

 

A ação do/a profissional não deve agravar a situação, para isto, evite tomar atitudes impensadas. Reflita qual a melhor forma de ajudar esta família. É papel, dado por lei, que as instituições se envolvam nos processos de denúncia e acompanhamento de casos de suspeita ou comprovação de violência. Tome os procedimentos de maneira responsável e registre os passos dados.


    Comprometido

O profissional deve estar comprometido com a melhoria da qualidade de vida e garantia de direitos da infância e adolescência. Acredite na criança e no/a adolescente. Durante muito tempo estes sujeitos foram acusados de mentir e este argumento, ainda hoje, é usado para inverter a situação de violência e colocá-los no lugar de responsáveis pelas agressões que sofrem.


    Articulado

A articulação amplia a possibilidade de resolução das situações, assim como fortalecem a proteção de profissionais e das instituições. Não é eficiente agir de maneira isolada.



    Autocuidador

Além do sentimento de impotência e de ansiedade diante de não haver soluções imediatas, as situações de violência proporcionam o contato com as violências vividas pelos profissionais. Assim, é bastante positivo quando o profissional trabalha suas próprias violências sofridas e identifica se foi ou não protegido/a; quem foi omisso ou não; se a violência deixou conseqüências na vida adulta; se ainda lhe causa dor, medo, raiva; se é vítima de violência hoje;
Quando o profissional cuida de sua própria história, favorece que sejam tomadas atitudes e posturas mais eficazes quando estiver diante de crianças e adolescentes que foram ou estão na eminência de serem vítimas.
Assim, as instituições devem criar momentos sistemáticos para poder refletir as reações e sentimentos que nos envolvem, diante dos casos de violência que são identificados.

OBSERVAÇÕES SOBRE O SIGILO PROFISSIONAL: Os códigos de ética são claros ao permitirem que o/a profissional abra o sigilo de forma responsável, caso o/a usuário/a, aluno/a ou cliente encontre-se numa situação de risco à sua proteção e integridade. O segredo (ou lei do silêncio) tem sido a grande arma dos agressores domésticos, que sob ameaças e chantagens, induzem a não denúncia de suas práticas. O sigilo não pode se transformar num segredo que envolva o profissional na dinâmica da violência doméstica.

Fonte:

Manual de Prevenção à Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes. Maria Luiza Duarte Araújo. Rede Tecendo Parcerias e Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente de Pernambuco. 2º Ed.Recife/2008.
   
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